Me Acostumei a Chorar
Estou tranquilo no pranto,
Já não mais carrego espanto ao
Ver as causas do chorar.
Isso não é transcendência,
É muito menos: indescência,
Carência, dolência... Casar.
Pois tenho amado uma moça
Com tanta e tanto mais força
Do que amei tempo atrás.
Cada dia que se passa
Mais me afundo na desgraça
De amar, amar e chorar.
Por vezes vem de alegria,
Planos, filhos, fantasia,
Vejo-a de branco no altar.
Choro também por tristeza,
Pois quando vem a crueza
Penso que não vou ficar.
Vejo, virão outro e outros,
Daqueles que caem no gosto
Da minha amada em paixão.
Se apaixona e se enrola,
Se joga e joga amor fora,
Fico só, no coração.
Aí ele se arrebenta
Pulsa sangue em tormenta
Tremo em medo e solidão.
Fica a presença de um corpo
Que vibra mais é com outros
Sem alma, sem emoção.
Então, seguro meu choro
E busco novo consolo
Nas palavras que me vêm,
E aqui, chorando, escrevo
Em meio a lágrima e dedos,
Acostumado a sofrer.
"Indescência" - da minha parte,
Qualquer diria em alarde
"Larga logo esta mulher!"
Mas é útil o fraco peito,
Pois armaduro meu jeito e
Amo enquanto Deus quiser.
Sou nobre nascido tarde,
Me apaziguei nos combates,
Já engulo choros tranquilo
Já pra matar, não morrer,
Em busca de renascer
Sem pedir humano asilo.
No entanto esta fortaleza
Mata a criança indefesa
Que habita dentro de mim.
Valerá viver assim?
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