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Mostrando postagens de dezembro, 2019

Me Acostumei a Chorar

Estou tranquilo no pranto, Já não mais carrego espanto ao Ver as causas do chorar. Isso não é transcendência, É muito menos: indescência, Carência, dolência... Casar.  Pois tenho amado uma moça Com tanta e tanto mais força Do que amei tempo atrás. Cada dia que se passa Mais me afundo na desgraça De amar, amar e chorar. Por vezes vem de alegria, Planos, filhos, fantasia, Vejo-a de branco no altar. Choro também por tristeza, Pois quando vem a crueza Penso que não vou ficar. Vejo, virão outro e outros, Daqueles que caem no gosto Da minha amada em paixão. Se apaixona e se enrola, Se joga e joga amor fora, Fico só, no coração. Aí ele se arrebenta Pulsa sangue em tormenta Tremo em medo e solidão. Fica a presença de um corpo Que vibra mais é com outros Sem alma, sem emoção.  Então, seguro meu choro E busco novo consolo  Nas palavras que me vêm, E aqui, chorando, escrevo Em meio a lágrima e dedos, Acostumado a sofrer.  "Indescência" - da minha parte, Qualquer diria em alarde...

À Deus, o Amor

Eu não sei ser feliz sem ser amando, E não sei te dizer como é depois, Pois nunca fui feliz mais de dois anos Amando um a um, todinho a dois. Não acredito que o amor acaba E se acaba é que amor não foi, Ou foi paixão rasteira e criou asas, Ou foi amor só que não foi a dois. Te quero, mulher! Aonde, quando e nem se Deus quiser. Mas se teu anjo de mim se esconde Eros, foi onde? À Deus, o amor.

Delírio ou Outros Poetas?

Hoje vi teu interesse e Confirmei que te interessas Por mais do que um homem bom, Poeta, em outros poetas. Posso ser perfeito ou não; Mesmo sendo o que tu peças, Teu cupido pôs-me à margem Do teu peito e alma inquieta. Estou ali como o mar, Beira-mar do coração. Sirvo-te e toco em sístole; Em diástole, solidão. A quantas anda o remendo Da minh'alma, coração? Queria ver-te por dentro e Saber o que é real. Se estás te machucando Ou é ciúmes passional. Quero ver se te adentro E te examino essa dor, Se têm verdades disformes Nos cumes de aperto e dor, Ou se eu, ensimesmado, Projeto por todo lado Meus defeitos no amor.

Do Desamor

Nada. Nada é segurança quando de infiéis se trata. Nem o amor que tu ofertas, Nem teu mate, serenata, Nem mesmo o amor bem feito, Nem a beleza da casa, Nem a aparência bonita. Para infiéis, não é nada.

Ser Só

Ser sozinho é um destino. Mesmo entre gentes e trinos, Compromissos e trabalho "Cada macaco num galho" Repito este velho hino E até junção de meninos É uma colcha de retalhos. Não sei mais estar ausente. Enraizado no presente Sou coringa de baralho. Sirvo pra qualquer trabalho, Em qualquer jogo me afino, Mas bobo e Severino Poucos quebram o meu galho. A! Se soubessem da pressa Que tenho em pagar promessas E então trilhar meu caminho... Talvez seguisse sozinho, Talvez os bons se achegassem, Me dissessem "boa viajem!" E eu rumasse, peregrino.

Dasatando um Nó

Que engraçado é o desgosto. Para mim não há esforço em te abraçar, pegar tua mão. Mas eu entendo a ilusão, Que busca um sonho moderno E justifica o odierno como sendo tradição. É tão pequeno o caroço, Mas vira nó no pescoço, estômago e coração. Não te deixarei tão cedo, Mesmo que guardes segredos, Que amarres mais nós de medo, Insegurança e razão, Desato o do coração.

Traste e Fraste

E aquele conto lindo Dos unicórnios divinos? Foi resposta ao desafeto. Um mal-me-quer descoberto, Inda que exalte o traste. Aquele que a perde sempre, Que faz-se amor e presente, Ao depois foi relegado, Quando nada, é relembrado. Reamado, o velho fraste.

Não Minha

Ela sente saudade Das velhas conversas Dos jogos, da presa, Mas não minha. Ela sente vontade Dos altos vapores, Ensaios de amores, Mas não minha. Ela sente piedade Por sua loucura, Por ter machucado Um outro coração, E sente saudade E posta canção, Cheia de entusiasmo Em luto e emoção Por ter celebrado Uma outra paixão E não ser mais rainha Daquela atenção. Aquela atenção, Aquele coração, Aquela saudade, Aquela piedade, Não são minha parte, Não são meu respeito, São de outro sujeito, Não minha.

Traumas Furtivos

Os traumas  que furtam calmas Nos concedem maus suspiros Que são mais de desespero Pois a vida já não entra, Não sai, e se arrebenta Entre átrios e ventriolos. Que coisa mais tão mimosa Se o rumo dessa prosa fosse pra falar do Amor. Aquele nobre senhor, Cheio de força e carinho Que entre tantos espinhos Faz nascer também a flor. Mas na ausência da verdade, Da salvífica beleza, Do bom, da simplicidade, Eis que não fica a vontade o Senhor da natureza. A águia se faz bichinho, Uma larva o passarinho, E o Homem? Suspira. Um suspiro carregado, De um corpo tão magoado, Renegado com a sorte. Pensa ir de encontro a morte, bradando mais por lamento, Tentando virar rebento, talvez, de uma melhor sorte. Nobre Senhor dos Arcanos, Na tua inocência tirano, Pois vais se não te convém. Mas ao céu eu digo amém, No fim deste embaraço. Porém, na vida o que faço tem carga de mau suspiro, Desconfianças com o destino, O Vale não é encantado. Traumas, ó, traumas!...

À Musa do Próprio Encanto

Quão grandiosa é a virtude que só serve em causa própria? Condicionada a si mesma, anela falsa nobreza, ser invejada na glória. Quão valioso é o arroubo no inflar-se de si mesmo? Busca Narciso a beleza, Mas esquece da presteza para com quem anda a esmo. Que titubeie, ó carola, ó deusa que a si consola, ó musa do próprio encanto. Busca no mundo o teu canto, Não te pedirei esmola. Dos brinquedos que tu brincas, já fiz prova e passei cola.

Armadurando o Peito

Distância, frieza, Em nome de uma leveza. Suo frio, sangra o peito, Mas armadurei meu jeito E não quero dar pra trás. Mais que isso, é que me apraz, Me regozijo e deleito, Com um só abraço e beijo, Um sorriso satisfeito, Um olhar do coração. É tremenda a emoção, Quando diz que a mim me quer, Quando em mim se faz mulher, Segundos na imensidão. Mas confesso, temeroso, Que me angustia ainda a dor, De não saber se tem fim, Nosso jeito será assim? É conquista ou desamor?